Num ambiente de produção, os operadores realizam diariamente tarefas que podem solicitar repetidamente os mesmos músculos e articulações. Quando estes movimentos repetitivos estão associados a posturas desconfortáveis, a um ritmo de trabalho intenso ou a um posto de trabalho mal adaptado, podem provocar fadiga, desconforto e distúrbios musculoesqueléticos. Melhorar a ergonomia dos postos de trabalho constitui, por isso, uma alavanca essencial para melhorar simultaneamente as condições de trabalho e o desempenho industrial.

Porquê atuar sobre os movimentos repetitivos na produção?

Os movimentos repetitivos fazem parte de muitas atividades industriais: montagem, acondicionamento, controlo de qualidade, preparação de encomendas ou movimentação de materiais. A sua repetição durante várias horas pode aumentar a fadiga física e reduzir progressivamente a precisão e a concentração dos operadores.

Uma abordagem de ergonomia na produção consiste em adaptar o posto de trabalho, as ferramentas e a organização do trabalho às capacidades do operador. O objetivo é limitar os esforços desnecessários, facilitando simultaneamente a realização das operações.

Como melhorar a ergonomia de um posto de produção?

Várias ações simples permitem reduzir o impacto dos movimentos repetitivos.

Ajustar a altura do posto de trabalho permite, nomeadamente, limitar a flexão das costas e as posturas desconfortáveis. Um posto de trabalho regulável pode ser adaptado à morfologia de cada operador e às diferentes tarefas realizadas.

Posicionar as ferramentas e os componentes ao alcance das mãos reduz as deslocações, as extensões dos braços e as rotações repetidas do corpo. A organização do posto deve, por isso, favorecer um fluxo de trabalho natural e limitar os movimentos desnecessários.

Utilizar equipamentos ergonómicos também pode facilitar determinadas operações: suportes inclinados, sistemas de apresentação de componentes, acessórios de preensão ou mobiliário concebido para as exigências específicas da produção.

Por fim, a análise dos movimentos permite identificar as operações mais exigentes e procurar soluções adequadas diretamente com as equipas no terreno. A observação do posto de trabalho real é indispensável para desenvolver uma abordagem de melhoria pertinente.

Ergonomia e desempenho industrial: dois desafios complementares

Melhorar a ergonomia não consiste apenas em aumentar o conforto dos operadores. Um posto de trabalho melhor concebido também pode facilitar as operações, reduzir os movimentos desnecessários e limitar a fadiga ao longo do dia.

A ergonomia integra-se assim plenamente numa abordagem Lean e de melhoria contínua. Ao analisar os movimentos repetitivos, as deslocações e as limitações do posto de trabalho, a empresa pode identificar oportunidades concretas de melhoria, envolvendo simultaneamente os operadores na transformação do seu ambiente de trabalho.

Na produção, desenvolver a ergonomia permite, portanto, colocar as pessoas no centro do desempenho, procurando um melhor equilíbrio entre eficiência operacional, qualidade e condições de trabalho.

Antoine BOUNAUD